CRÔNICA
005      OSWALDO FRANCISCO MARTINS
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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DISTRIBUIÇÃO LITERÁRIA

 

 

 

 

 

 

ESTAÇÃO COMERCIAL CHAMADA VERÃO BRASILEIRO

 

É janeiro! Eu adoro o verão brasileiro! Mas ele ficou mais quente graças ao chamado efeito estufa, bastante piorado nestas primeiras semanas de 1998. Também, de forma traumática para os menos favorecidos - habitantes de favelas em sua maioria, o El Niño tem trazido esporadicamente violentas chuvas e fortíssimos ventos ao país da Tropicália, cujo clima está mais tropical agora do que nunca!

 

Vejo que no litoral do Brasil as praias estão repletas de gente de todos os estratos sociais, provenientes dos quatro cantos do planeta, numa confraternização entre nativos e estrangeiros, ambos atraídos pelas belezas naturais e monumentais desta terra, numa singular comunicação sem fronteira lingüística, expressada nos muitos goles de água de coco e de cerveja geladas, nos muitos copos de caipirinha e caipiríssima de exóticas receitas, ingeridas com avidez, numa persistente tentativa de matar a sede incessante (oriunda da quentura e do mormaço ambientais, frutos da radiação solar intensa que ora atinge a superfície de nosso território, de forma agressiva e danosa à saúde humana); também, a gula despertada cá, estimulada pelo aroma delicioso de nossa comida em pratos de frutos do mar e de outras tantas iguarias tupiniquins, matando uma fome pecadora e quasi canina daqueles comensais insaciáveis.

 

Descompromissadas, livres, liberadas, em férias escolares ou da atividade laboral - para muitos ociosos, contudo, apenas uma extensão temporal do “fazer nada” a que estão acostumados e que lamentavelmente parece não mudar jamais! - percebo que tais pessoas invadem as praias nas cidades mais populosas, num ritual de procura de um específico tipo de laser, que incorpora areia, água salgada, sol, poluição e lixo urbanos inteiramente de graça, com todos os seus decorrentes malefícios. Por outro lado, em nossas ensolaradas praias, alegro-me com beldades a mostrar seus corpos sob pouquíssima roupa sem nada me cobrarem por isto! Rio com os turistas atônitos e pecadores nos olhos, veranistas menos acostumados a ter o nosso deslumbrante visual (bem estimulante da função sexual humana!), ao encherem os olhos!...

 

Sinto mesmo que vivemos um apelo sazonal da mídia amplo e forte quanto ao uso de produtos para o cultivo e a melhoria da estética corporal, incluindo-se aí bronzeadores e protetores solares que favorecem à cromaticidade almejada para a pele por toda essa gente em férias. E ferohormonios no ar das academias de ginástica equipadas e lucrativas ardem em minhas narinas. Mais acentuadamente naquelas em que se pratica a aeróbica, buscando-se violentamente o aprimoramento das linhas definidoras dos corpos, geralmente freqüentadas por jovens adolescentes ou de pouca idade, com o fim de modelar (para realçar) partes de seus corpos, de sorte que possam adquirir a forma corporal em moda, sem nenhuma preocupação com o conteúdo cerebral latente ou minguante que normalmente manifestam, numa atitude explícita de prática narcisista, que a nossa modernidade tem imposto de forma errada, indubitavelmente, às suas vidas. Tudo isto deixa-se muito triste e preocupado com o futuro daqueles jovens!

 

Encho a boca d´água que verifico que sucos de frutas ajudam a hidratar os tomadores de sol e os atletas sazonais deste nosso verão tórrido, que constantemente em desidratação e diretamente influenciados pelas benesses alardeadas em maciça propaganda via o sistema televisivo local, que costumeiramente bombardeia com intensidade tais ouvidos menos seletivos, passam a acreditar na ingestão acentuada de vitaminas e de sais minerais - que para nossa gente são substâncias milagrosas, milagreiras ou “milagrentas” que parecem lhes servir para todo tipo de problema e, por conseguinte, são responsáveis por deixar lucros generosos para vivaldinos que exploram esse negócio. Coisa alguma posso fazer e me deparo com as lojas dos shoppings e nelas encontro, mas mantenho-me longe e afastado e só olho de relance - óbvio!, roupas leves (e caríssimas!), que visam permitir uma melhor transpiração às pessoas, deixando-as ainda mais despojadas, ao tempo que se identificam pelo modismo vigente das cores fortes e chocantes, cuidadosamente escolhidas - e impostas! - pela indústria de confecções para a temporada atual, contribuindo com a determinação nítida daquele ramo industrial por querer obter resultados comerciais bastante vantajosos.

 

Leio nos jornais e revistas o acoplamento desta estação e os eventos de teatro inúmeros, de música e de cinema, os quais foram estrategicamente planejados pelo empresariado competente e dedicado. Assusto-me com a objetividade dos espetáculos devidamente programados para revelação ao público pela mídia extremamente comercial, a qual sempre atrai as pessoas em férias e, em especial, procura encantar os turistas em “descanso” dinâmico e agitado pelo nosso país, em desesperada procura por novidades daqui, gastando, pois, economias e prêmios de férias ganhos sobre um ano de trabalho encerrado recentemente ou há poucos meses findado.

 

Verão, doce verão! Sim, passo o filme em minha lembrança nítida de que a cada ano ele se repete com uma nova cara para atrair e surpreender multidões para a sua curtição desvairada, o que sempre acaba por movimentar uma economia de milhões de dólares, fato que certamente a ciência geográfica mais nobre jamais previra para a estação brasileira presente, mas que se tornou um negócio atrativo tão-somente para aqueles que detêm o poder econômico na Terra Brasilis!

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ALGUNS VALORES EXPLORADOS

PELA MÍDIA CONTEMPORÂNEA

 

 

Tendo a mídia o acesso à intimidade dos lares deste mundo globalizado, nas cabeças dos homens estão as imagens captadas plenas dos interesses da comunicação visual e auditiva, principalmente de objetivo comercial, intensamente despejadas em todos os lugares atingíveis deste planeta varrido pelas ondas eletromagnéticas. Tal propaganda impera sobre a dinâmica do homem moderno, que se mantém carente na falta de tempo para uma leitura informativa mais aprofundada, em cuja ignorância tem se plantado e se consagrado um círculo vicioso e inibidor da capacidade crítica sobre o cosmo que o envolve o humanóide. Aquela dita região tem sido fortalecido através da pregação de pseudo-valores martelados sobre o ser humano, bastante idiotizado e (in)ativo neste início de século nascente. - Pasmem, depois da virada do século!

 

No modismo dos ritmos africanos ou de seus baticuns monotônicos, o veículo da venda ao consumidor de produtos usados por músicos e dançarinos, tais como roupas, sapatos e relógios. Eles são, em sua maioria, artistas com vacância cultural sobre o campo de definição das artes que se queixam praticar, alimentando este processo de manutenção de um presente apodrecido e com nível cultural pobre ou definidor precário de um pretenso rompimento com os valores que um dia fez da humanidade um poço de conhecimentos sábios, de verdades axiológicas capazes de enobrecer e dignificar o Homo Sapiens. Todavia, com a massificação dos meios televisivos - o fértil caminho gerador de riqueza para os profissionais da propaganda (muitos deles conscientemente moldados na forma da mentira ludibriadora dos povos, por vezes!), tem sido combatida pela classe mais aculturada deste país composto em sua quase totalidade de analfabetos ou de semi-analfabetos. Contudo, não é privilégio do Brasil esta estatística anômala. Assim, é que, recentemente, crimes mostrados nos Estados Unidos sobre atentados a bala cometidos por estudantes contra colegas de suas escolas se repetiram em outros lugares daquela terra, mostrados ao mundo quasi em tempo real, tendo acontecido com as mesmas características mostradas originalmente, revelando-se-nos que criminosos também perdem a sua própria identidade ou criatividade até mesmo no cometimento de crimes, apenas copiando as formas praticadas pelos bandidos dos atentados anteriormente revelados. Portanto, vê-se que não é privilégio de gente sadia a imitação daquilo que é revelada pela propaganda televisiva - seja ela ruim ou boa para o ser humano!

 

No futebol, a cabeça raspada ‘na máquina zero’ (- onde os cabelos foram cortados literalmente rente ao escalpo!) de jogadores no mundo do futebol acompanha o corte do craque brasileiro Ronaldinho, numa apologia ao estilo já visto antes nos filmes do artista norte-americano, no papel do policial Korjac, porém com imitação em menor grau, ressaltando-se a diferença de que no teatro ou no cinema é exigido um bom funcionamento do cérebro além das funções vitais, com abstrações e operações que dignificam o ser humano, tornando-o superior aos animais irracionais. Parece-se-nos ter nascido uma inversão de valores aqui: o lado material vale mais do que o valor cultural, sendo a cultura desenvolvida nos pés para os jogadores de futebol! Tudo bem, claro, afinal nosso planeta já fora comparado com o modelo capitalista do material world! Curiosamente, jovens e velhos, até mesmo os ditos pernas-de-pau, têm aderido à velha tradição dos calouros universitários do continente brasileiro, hoje caracterizada como um modismo criado pelo craque das convulsões da Copa do Mundo da França. - Será que raspar a cabeça é ignorar a memória que se possui ou será que se trata unicamente de falta de memória? Não se sabe, todavia poder-se-á emitir um juízo de valor a partir do cheiro do pensar dos adeptos desta fashion!...

 

Nos processos eleitorais, na maioria das vezes caracterizados de eleitoreiros, no mundo em atrasos tecnológico e político, dá-se a manutenção da ignorância do eleitorado. No Brasil, especialmente em seu enorme contingente de analfabetos com fome e desassistidos, portanto, aonde repousa a maior e a pior parte da ignorância sobre a vida política desta nação, perfaz-se a força assegurada de votos para candidatos ruins no processo de eleições neste país. Tais candidatos tratam o inocente eleitorado como bichos em seus limitados e demarcados currais eleitorais (- possivelmente, eleitoreiros!). Eleitores ou vítimas, por sua vez, têm freqüentemente eleito para o poder executivo muitos demagogos e/ou corruptos que tiram benefícios apenas em favorecimento de suas próprias causas, sempre atuando de modo a subtrair ou a polarizar recursos para as áreas e/ou regiões de seus interesses exclusivamente pessoais, castrando as populações em suas necessárias melhorias de crescimento enquanto seres humanos que são, o que quase sempre se constitui em práticas perversa e criminosa, que muitas vezes o incauto eleitor não tem capacidade de perceber, nelas continuando aprisionado ad eternum. Trata-se, pois, de uma bem conhecida negação da Democracia! Também, jogos de canibalismo dentro do poder instaurado - quer entre políticos ou no seio dos partidos que disputam governos, presidências, partidos, etc. alardeiam-se péssimos desvios de comportamento de líderes junto à mídia oportunista - como já ocorrera com os presidentes Nixon no caso Water Gate e Collor nos escândalos com o seu tesoureiro de campanha Paulo César Farias, o PC, muito amplificados pela mídia. Atualmente, a título de exemplo, o presidente americano Bill Clinton está prestes a sofrer um processo de “impeachment” pelas muitas práticas sexuais que em tribunal revelou ter mantido com a senhorita Monica Lewinski, quando do estágio da mesma no ambiente de labuta do poderoso presidente americano e dentro da própria White House!

 

É real que a mídia associa ocorrências novas a eventos do passado ao mostrar fatos atuais sensacionalmente. Todavia os faz aumentando, copiando, relacionando, ridicularizando seus dados e fatos, seus geradores e/ou suas origens, induzindo a parcela do público menos capaz sobre suas teses, as quais costumeiramente não passam de falsas hipóteses, mas que jamais são devidamente compreendidas pela maioria dos fracos ouvintes de Broadcasts, sendo esta uma observação bem notada no continente brasileiro. Assim, onde estão os governos e as causas sociais de erradicação da ignorância dos povos?

 

Na Terra Brasillis, repleta de sedentos e famintos, chega-se quase a beber os líquidos anunciados na TV, como acontece quando da propaganda da Coca-Cola. De modo similar, sanduíches das lanchonetes McDonald’s parecem ser degustados pelos telespectadores, estáticos, imaginativos e com os estômagos a roncar de fome, sendo canina o seu qualitativo mais apropriado com referência, pelo menos, à qualidade da carne empregada em hamburgers comerciais, sempre aditivados de produtos químicos para conservação da péssima mistura de carnes de que são compostos! - Por que não somos críticos de nós mesmos na consecução de nosso bem-estar alimentar, pelo menos? ou será que ainda pensamos? ou será que estamos em processo de regressão mental, voltando ao primitivo estágio da inteligência humana?

 

Lindos, potentes e avançados carrões da Engenharia Automobilística e maravilhosos produtos da Eletrônica e da Cibernética são entes virtuais, entretanto materializados nos lares de muitas nações, especialmente daquelas com maiores carências materiais. - Será que estamos a receber o capitalismo à força ou será que o homem é de fato o seu próprio lobo?...

 

De tudo posto antes, apresenta-se-nos o desencadeamento de um processo de desvairado consumo ou até de intensificado consumismo, o qual, em muitas ocasiões e se então não consumado de pronto, pode levar a criatura humana à negação de sua própria dignidade, na geração de práticas imorais e/ou ilegais de roubos, saques, agressões destrutivas contra o patrimônio alheio, etc.. - O homem não estaria buscando a implosão da humanidade? por que se mostra ao homem o que ele não poderá ter dentro da realidade da conjuntura econômica que o tortura e o agride quando da revelação de sua inconteste pobreza material?   

 

Ficamos na fervura tamponada da panela global de nossa mídia contemporânea, boiando que nem corpos flutuantes sobre águas oceânicas. Devemos, portanto, algo fazer para evitar que exalemos um certo aroma fétido ou olor, peculiar aos dejetos encobertos por nossa vil metáfora! Contudo, que jamais se deixe de ressaltar que censurar a mídia eqüivale a castrar-nos das liberdade e chance de tê-la completamente saneada... da falsa ilusão ofertada contra os mortais menos favorecidos deste nosso mundo, então em branda guerra civil! 

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UM POUCO DA CONTRACULTURA NACIONAL

 

Pisoteado, explorado, dependente e sem futuro povo deste país, onde a perversa concentração de renda nas mãos de poucos é fato historicamente preservado e muito acentuado nos anos pós-golpe militar contra a nação brasileira. Povo em falta de tudo: habitação, alimentação, saúde, educação, etc.. Povo sem memória, sem capacidade de crítica, sem necessidades culturais: - vítima, simplesmente vítima!

 

Não existem valores positivos formadores de caráter no seio da sociedade, mas aplicam-se leis para punir os descumpridores da legislação que beneficia a parcela minoritária e que detém o poder nestas plagas da Terra Brasillis. O que sobra do PIB para a maioria?

 

Na falta, qualquer coisa é coisa... Assim, veículos de comunicação ludibriam a população com pobres músicas, imoral moda de vestimentas, indecentes modos de dança, incorretas maneiras de falar, de portar-se, etc.. Caminhamos para uma anarquia? - Não, tudo acontece de forma planejada. Portanto, as coisas que movimentam interesses no seio da sociedade não acontecem por acaso, porém se devem às “autoridades” que legislam e julgam os atos contemporâneos sobre o povo, determinando até como devem ocorrer. Assim, é mantido o analfabetismo, possibilitando-se a castração de explosões de revoltas conscientes e/ou organizadas em nossa sociedade. Contudo, não pode ser negada a existência de uma branda guerra civil, mas que se planta apenas para a satisfação de necessidades a nível de manutenção da vida em ambientes não humanizados: procura de comida e de onde morar. Por conseguinte, tal guerra não se dá apenas em resposta à opressão sofrida pelas classes menos favorecidas, materialmente. Vê-se a nítida falta de consciência em ações de revolta do povo, tendo-se na verdade ações criminosas, em primeira instância, posto que os bens subtraídos de outrem não retornam aos menos favorecidos, mas enriquecem marginais originários da classe oprimida, imbuídos de sentimentos de inveja e ganância de poder econômico, coisa que jamais conseguem. Ao contrário, os cidadãos do poder praticam crimes atrozes e se firmam ali por imposição e ajuda direta daqueles que sugam riquezas nas tetas do governo, ali colocados pela incautez do brasileiro - em média - e que corrobora com a falência das instituições que poderiam ajudar esta nação a sair da miséria. Por cima da “carne seca”, os políticos doam ou transferem, após ajudarem ou interferirem para o apodrecimento das empresas sérias e lucrativas do Brasil, para o insaciável capital imperialista do exterior. Estranho, por sua vez, que o povo sofrido não consiga refletir como poderia ser diferente se os homens do governo, que aplicaram o neoliberalismo contra esta nação, deixassem o poder. Não, ao contrário reelegeram o FHC, que junto à sua equipe de ministros e ministrões, apoiados com os fortes ou quasi perpétuos políticos deste país venderam e estão a leiloar o que há de mais importante para garantia da soberania deste país. No momento e em especial, lutam pelos enfraquecimentos da PETROBRÁS e do Banco do Brasil, dentre outras tantas empresas rentáveis deste país. O que fazer?

Será que haveremos de comer fezes no futuro? Dará para todos?

 

Brasileiros, nativistas, precisam se unir contra esta desgraça que hoje se firma por aqui em crimes de Lesar Pátria, numa estranha forma pacífica, mas que vem devorando o que resta de bom nesta nação!

 

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UM POUCO DE NOSSA ATUAL REALIDADE BRASILEIRA

 

Chegamos ao ano 2000. No país rola a esperança falsamente propagandeada da privatização do estratégico patrimônio nacional, que vem transferindo as grandes empresas e serviços de administração lucrativos para o imperialista capital estrangeiro. Contudo, da máquina do governo, encharcamo-nos de propaganda positiva dessas vendas e ludibriamo-nos ao pensar estarmos entrando no mundo desenvolvido, quando nossos pais de família estão sendo demitidos da normalidade da vida costumeira: perdem seus empregos e encontram a falência de suas vidas e enxergam suas enganosas dependências frente ao abandono social advindo do neoliberalismo atual, que insistiu em manter o poder nas mãos do mesmo presidente, o qual apoia ministros que ao telefone praticam atos imorais e revelam suas ações subversivas à Moral, à Ética e às leis desta nação. O que esperar de um governo que protege banqueiros que cometem milionários desfalques acobertados e pagos pelas autoridades da própria engrenagem governamental, deixando em liberdade os reais e perigosos criminosos? O que esperar de processos conduzidos por ministros corruptos e/ou subversivos que optam por privatizar empresas nacionais lucrativas, quando existem empresas que são de fato inviáveis e que oneram a nação? Será que os grampos telefônicos sobre as linhas que serviam àqueles ministros de estado foram mais criminosos que os atos deploráveis daqueles senhores que deveriam zelar pelos interesses deste país, o que se constitui na praxis esperada?

 

A contracultura brasileira continua a eleger as papudas bundas de esculturais dançarinas oligofrênicas ou de lindas garotas de programa como belezas a incorporar em crianças inocentes, ainda na mais tenra idade, quando inspiram negativamente mães ingênuas nas rarefeitas vestimentas de suas filhinhas infantis, que cantarolam barulhentas músicas quase monotônicas, com pitadas de sexo, cujas letras não representam o vernáculo objetivamente e ainda não respeitam o gênero poético mais elementar. Que idéias e comportamentos socio-morais estão sendo legadas aos nossos filhos em sua primeira formação intelectual? Também, empobrecem por ganhar novos pseudo-ídolos a cada dia: os analfabetos e milionários craques de bola que não articulam frases com mais de quatro palavras; as desejadas apresentadoras e cantoras beócias, naturalmente com baixa ou nenhuma potência vocal, desentoadas e com anseios sexuais aflorados e/ou apenas exibidos profissionalmente, provocando translocados desejos sexuais nos pais e seus filhos adolescentes e não somando praticamente nada aos desenvolvimentos mental e intelectual dos baixinhos idiotizados ao assistirem seus soprados programas semanais; os drogados cantores de rock&roll em grunhidos horrendos e dissonantes, sumamente compatíveis com a inexistência de suas incapazes vozes para cantar uma simples melodia; o pagodeiro da eterna parte melódica repetida sobre a quasi morta e medíocre letra versando sobre o trivial, que desativa neurônios até mesmo de adultos inteligentes, após serem entediados com a reprodução sonora persistente daqueles cantos sobre o tema da mesmice explícita; os domadores de cavalos e bois brabos que praticam este esporte por ricos prêmios em dinheiro e bens materiais muito desejados por humanos (carros, casas, terrenos, etc.), ridiculamente imitando vaqueiros americanos, enquanto apresentadores de rodeios tentam se passar por repentistas vomitando asneiras mal e porcamente versificadas - em vergonhosa declamação da baboseiras à sádica platéia que assiste os montadores tentarem sair vivos e com os ossos inteiros nessa profissão de elevado e inconseqüente risco; os ricos jogadores de futebol solteiros e disputados por beldades adolescentes e tão somente sonhadoras com seus sustentos fáceis, etc..

 

Nossa atual construção de cidadãos não nos parece incorporar positivos valores aos brasileiros, especialmente no que concerne à sua novíssima geração contemporânea, que lamentavelmente parece aceitar o crescimento de sua megadecadência social, naturalmente persuadida e atraída pelo chamamento dos valores imediatos do mundo material e do modismo generalizado imposto contra os pouco ou não praticantes da crítica sobre o cosmo onde nos situamos enquanto racionais. Temos um processo de comunicação que está ‘fazendo a cabeça’ de nosso povo, obviamente através de uma lavagem cerebral com idéias e pensamentos sem valor axiológico para quem os adquire, pelo que estamos vivenciando neste tenebroso e incerto presente!...

 

Nas favelas estão cidadãos pendurados em encostas de morros abandonados pelos poderes públicos, que deslizam quando dos períodos de fortes chuvas, quase sempre impondo-se-lhes mortes e perdas sobre o pouco que detêm  do PIB de suas regiões. Lá, soma-se o intenso tráfico de drogas, acobertado por policiais corruptos e coniventes com tal prática ilícita, fato que vem minando o futuro de jovens brasileiros e carreando suas famílias para a orfandade, ao que também se acoplam as investidas dos policiais torturadores contra moradores daquelas não urbanizadas comunidades, cujos brutais atos são justificados pela mídia como ataques e perseguições aos traficantes de entorpecentes, costumeiramente levando mortes e sofrimentos a inocentes da mesma forma que a criminosos, em cenas diárias de pleno despeito aos direitos humanos. Nossa realidade em/ou/de guerra se apresenta regularmente nos muitos noticiários televisivos e nas diversas reportagens publicadas em jornais, cujas páginas parecem estar cada vez mais impregnadas com o sangue das vítimas fatais! Estamos ou não em guerra civil?

 

Escolas não cumprem bem sua função primordial de educar jovens e seus professores são remunerados de maneira insuficiente, não se podendo melhorar suas capacitações, as quais ficam a merecer uma prioridade menor que a satisfação das necessidades básicas e/ou elementares dos facilitadores, degradando-se o ensino como um todo, especialmente em sua base fundamental. Portanto, o produto advindo desses professores é criticamente de qualidade ruim e o ensino público muito mais decepcionante. Quase sempre vê-se que quando existe uma suposta boa escola, certamente há a falta então do bom professor e vice-versa. O que se esperar do alunado, muitas vezes sem receber a merenda escolar já subtraída por seus oficiais e inescrupulosos guardiões ou sem ter dinheiro para se deslocar de suas casas até a escola? Tudo se mostra muito ruim e o crime já alcançou os colégios, onde professores são ameaçados e agredidos por marginais freqüentadores daqueles recintos ou de suas abandonadas proximidades e quando balas perdidas atingem mortalmente alunos, além de drogas serem ali comercializadas entre aprendizes, num tráfico sabidamente crescente e por demais maligno e, por conseqüência, frustador do futuro da população brasileira em seu nascedouro: na parcela infanto-juvenil. Assim, vivemos um tempo de atrozes problemas, com pouca gente muito poderosa e detentora da porção maior do PIB nacional. Uma minoria divide o que sobra de nosso produto interno bruto, como que aves de rapina disputando os restos ou a carcaça de um animal recém predado e/ou em decomposição, numa luta que não ultrapassa a mínima fronteira da precária sobrevivência em nosso “third world”.

 

Que resposta futura haveremos de ter de nossos jovens em processo de formação escolar, cujas vidas parecem se sedimentar na violência e nos descaminhos que os levam a continuada negação dos bons valores axiológicos? Qual o papel de nossos governantes sobre tal tragédia? Qual a aquarela desse cenário social na Terra Brasillis?

 

Os latifúndios sem o homem constituem-se em singular negação e/ou violação às necessidades de nosso povo, cujos alimentos poderiam vir dessas terras, mas que aqui chegam de todo o mundo para matar a nossa fome a um preço elevado e incongruente com a nossa realidade econômica, num processo anti-social que discrimina e isola quem pode produzir, que impõe o ócio a agricultores, os quais acabam por ficar sem ter sequer onde morar, muito menos o que produzir, privilegiando a quem detém a posse da terra improdutiva e, por conseguinte, ajudando e cooperando drasticamente com a nossa dependência alimentar no contexto universal e/ou globalizado.

 

Finalmente, o sol brasileiro continua aquecendo poucos e o frio torturando muitos, trazendo ao nosso sofrido povo as faltas material e espiritual, que tanto se opõem à construção da dignidade, que certamente coloca uma enorme dúvida sobre o futuro do Brasil.

 

Brasileiros, acordai-vos enquanto latentes sois!                             

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A SAUDADE

 

Poucas são as coisas tão claras e freqüentes no tempo e no espaço em que nos situamos do quilate da saudade. Tal sentimento, como a dor, só é bem evidente no momento de sua ocorrência. Trata-se, pois, de um sentimento...

 

Provavelmente, devido à sua vulgaridade, a saudade não guarda, em si, uma definição ou um conceito que a coloque junto aos sentimentos que um ser possa sentir. Vale ressaltar que é dito um ser devido ao fato que só animais dotados de instinto, pelo menos, apresentem-na em potencial capaz de concorrer com o homem.

 

Somente a felicidade, os entes queridos e as boas coisas são lembradas através da saudade; daí, a conhecida frase popular que diz:

 

“A saudade é a vontade de ver outra vez, de repetir, de sentir aquilo que tivemos - que aconteceu em nossas vidas - no passado e que nos deu prazer, alegria ou amor”.

 

A saudade é um sentimento tão profundo e penetrante na alma que chega a causar a morte do ser que a sente, no caso de ser grande demais, como aconteceu aos negros da África, que vieram trazidos para o Brasil e que aqui sentiam tanta saudade da terra natal, chegando a morrer daquele sofrimento: era o banzo.

 

Muitas vezes, a saudade implica na repetição da ocorrência de um fato do passado. Por exemplo, quando da volta ao torrão natal ou a um lugar onde dispomos de muitos amigos, sabendo-se que certamente ali vai acontecer algo agradável - do passado; também, exemplificando, a saudade não passa de uma grande e boa lembrança de um ente com o qual foram gerados momentos felizes, que são, freqüentemente, ocasiões não repetitíveis. Este outro tipo de manifestação da saudade é, muitas vezes, em si, um testemunho da insegurança das pessoas infortunadas e de caráter duvidoso ou um atestado de inconformação do pai saudoso que perdeu seu filho amado ou algo similar... Portanto, a intensidade deste sentimento é variável e assume características próprias para cada pessoa e para cada caso real.

 

Não podendo ser evitada de maneira alguma no homem, a saudade não escolhe o tempo ou o lugar para acontecer. Entretanto, a forma de evitá-la pode ser buscada na ocupação pessoal e constante em alguma atividade laboral, por exemplo, desde que exista boa vontade e um pouco de objetividade na decisão de superá-la.

 

Geralmente, as pessoas não compreendem a saudade que as perturbam e, desesperadamente, de forma paradoxal, procuram alimentá-la na esperança de obter alguma satisfação, do jeito que acontece quando, por amor - às vezes, até platônico! -, é realizada uma visita a alguém que tenha sido - exemplificando, ainda - paquera ou namorado(a) no tempo passado. Nesta forma, a saudade não passa de, na sua causa, apenas um fruto decorrente de uma personalidade mau formada ou não estruturada.

 

Como é sabido, para nós, seres racionais, a saudade não aparece de forma única, todavia reflete aspectos da personalidade, podendo ser bons ou ruins; e, na grande maioria das vezes, ela se nos configura como uma alteração do próprio comportamento humano.

SEMÁFOROS E “CHUPA-CABRAS”

 

 

A capital da Bahia crescera aceleradamente na última década, mas sofrera sob o domínio de governos municipais que não cuidaram muito bem de acompanhar a ampliação das ruas e avenidas em sintonia com a velocidade de crescimento da população e do número de autos que passaram a integrar a frota de veículos da cidade. Como conseqüência imediata e drástica, vejo uma chuva de problemas para quem tenta atravessar suas ruas e avenidas sem passarelas ou para quem precisa se deslocar na cidade em veículos de particulares ou em coletivos, principalmente nos horários de rushing, onde aflora o fator comum da falta de segurança para quem está dentro e para quem está fora dos mesmos veículos, sabidamente em número muito elevado e, portanto, incongruente com a capacidade das vias de seu escoamento na bela e encantadora capital da Bahia. Soluções milagrosas, milagreiras ou “milagrentas” foram dadas por técnicos da Prefeitura Municipal de Salvador, principalmente em cruzamentos de avenidas, tais como o da Garibaldi com a Vasco da Gama, o do Iguatemi e o do Makkro, reduzindo o tempo em que a luz verde permanece aberta para ambos os fluxos que se cruzam perpendicularmente naqueles locais. Trata-se, pois, da busca do péssimo ou do emprego de avançadas técnicas matemáticas de pessimização ao tráfego, uma vez que um maior número de vezes por hora as velocidades daqueles fluxos de autos vão a zero, de sorte que a velocidade média acaba por ficar menor e um maior tempo de permanência dos veículos nas ruas e avenidas sinalizadas passa a engordar os quilométricos engarrafamentos, doando-se aos motoristas uma dose extra de “stress” que bem poderia ser evitada à luz de técnicas e tecnologias adequadas para combater este tipo de problema: construção de passarelas, túneis e ou viadutos em consórcios com empresários, que poderiam ter suas participações recuperadas através da cobrança de pedágios, como normalmente se procede no exterior. Não há dúvida de que quando se doa bons serviços à população, esta não se contrapõe ao pagamento de taxas justas para usufruir dessas vantagens, apesar desta colocação não gozar da unanimidade de populares.

 

Outros erros elementares observo e sei que são repugnados pelos soteropolitanos, perturbados por não encontrar alternativas de escoamento em certos lugares de Salvador, por não terem passado por planejamento prévio e anterior à expansão residencial da cidade em vários de seus novos bairros, sendo o bairro do Itaigara em que moro um exemplo marcante de concessão de alvará para construir prédios que, muitas vezes, destinam-se a abrigar dezenas ou até centenas de famílias, sem contudo ter sido vinculado ao mesmo o correspondente número de habitantes, bem como a quantidade de seus automóveis a circular nas vias e/ou ruas de acessos aos condomínios servidos pelas necessárias vias públicas para o seu fluxo ou escoamento no dia-a-dia de normalidade de uma grande cidade. É com pesar que diariamente assisto o esforço que famílias habitantes do Itaigara fazem para se deslocar nos próprios veículos particulares; e, este descontrole ou instabilidade no sistema de trânsito é também uma contribuição ao aumento da probabilidade de batidas e de acidentes no trânsito, muitas vezes com vítimas. Percebo com clareza que o custo de não se planejar é muito alto e isto se dá sobre todos os aspectos e, certamente, o resultado para a cidade é negativo e, por conseguinte, para o próprio estado baiano. Soma-se ao problema ora posto o comprometido asfalto das ruas e avenidas de Salvador, o qual está deteriorado e já perdeu sua base em muitos trechos, cujos buracos se transformaram em dor-de-cabeça para os motoristas por reduzirem a vida média dos pneus, suspensão e outras partes dos seus autos, o que também se verifica com mais intensidade durante os períodos chuvosos, quando buracos ou crateras são sempre reincidentes e têm aberturas nas vias de maior tráfego, impondo condições de risco para os motoristas mais descuidados - que acabam por cair acidentalmente naqueles enormes vazios que enfeiam a regularidade de qualquer asfalto...!

 

Como estamos no mundo neomoderno, sinto na pele que estamos sofrendo por aqui com a aplicação das tecnologias avançadas e desenvolvidas especialmente para lugares civilizados e de maior grau de desenvolvimento socioeconômico, mesmo porque somos dependentes deles e também sofremos ao sermos manipulados ou meramente usados para catalisar o imperialismo daqueles que globalizaram a Terra a seu favor. Assim, como num passe de mágica, descubro que um dos maiores responsáveis por acidentes e mortes no trânsito é o problema da alta velocidade praticada na terra tupiniquim. Puxa, como não pude ver isto antes!?

 

Não demorou que multas elevadíssimas fossem inseridas no Código Nacional de Trânsito para quem ultrapassar alguns limites de velocidade máxima (vejam que não existem multas para quem anda devagar, comprometendo a eficiência do escoamento da frota da cidade!). Logo, chegou-se à necessidade de instalação de mais semáforos (sinaleiras, como são conhecidos em Salvador) para, por conseqüência não desejada do aumento da demanda comercial daqueles sinalizadores, emperrar o trânsito e/ou para atender a passagem de pedestres ao acessar empreendimentos recém inaugurados, cujos projetos não tenham contemplado passarelas ou túneis nos pontos junto a avenidas ou ruas de rolamento, numa desmedida contribuição ao aumento dos homéricos engarrafamentos que a cidade de todos os santos há muito padece. Cito, por exemplo, o semáforo em frente ao novíssimo “shopping” localizado na área do antigo Aeroclube de Salvador: sem dúvida, um retardador da velocidade média do trânsito ali, que uma simples passarela de pedestres poderia evitar sem maiores problemas, coisa que deveria ser bancada pelos empresários que construíram tamanho interessante empreendimento naquele esplêndido ponto da orla de Salvador, até mesmo desfigurando aquela linda paisagem e contrariando muito os ecologistas e ambientalistas baianos, principalmente. Mais adiante, a cerca de menos de dois quilômetros daquele local, como se não bastasse a agressão ao tráfego naquela região da orla marítima, mais um semáforo bem em frente à sede do Sport Clube Bahia: - meu Deus, que tortura!

 

Como o problema da instalação dos semáforos corrobora para reduzir a velocidade média dos veículos e, por conseguinte, implica em maiores e piores engarrafamentos nos quatro pontos cardeais deste lugar que é patrimônio da Humanidade, os motoristas passaram a andar com velocidades mais elevadas quando guiam seus veículos, numa transloucada tentativa de compensar as perdas advindas dos impróprios semáforos já abordados aqui. Pelo projeto de concepção e pela maquiada conservação das ruas e avenidas, não é difícil se cenarizar para uma elevação do número de batidas e acidentes em todos os lugares em que o trânsito significa baixas velocidades médias dos autos, fazendo com os motoristas pisem mais fundo no acelerador. Numa típica ação “feedback” dos responsáveis pelos interesses municipais e apoiados no ora vigente Código Nacional de Trânsito, fotossensores foram instalados em pontos de maiores velocidades para punir todo aquele que ultrapassar os baixíssimos limites de velocidade estipulados pela atual legislação brasileira de trânsito vigente. Estamos, pois, tentando consertar a causa e não o efeito gerador do problema, assinando nossa incompetência em resolver problemas. Aliás, quando do projeto de Brasília, Oscar Niemeyer havia pensado a capital do país sem semáforos, mas a técnica perdeu para o comercial e, após este fato deplorável, muitos semáforos foram vendidos ali e neste país! Vê-se, pois, que a cultura praticada cá pode ser resgatada onde um dia nós acreditamos ter a cidade mais bem projetada do mundo. Coube ao Lúcio Costa a dor pelo uso inapropriado de seu projeto pelas autoridades brasileiras, potentes beócios de bem conhecidas e marcantes ações políticas e outros por mera incompetência tecnico-gerencial.

 

Vão ficando os buracos e o milagre da multiplicação dos sinais, quando o número de acidentes parece acompanhar o tamanho da frota de veículos numa velocidade ainda maior. Com tantos fotossensores espalhados pela cidade, passou o cidadão a ter cuidados maiores com o perigo do esquecimento sobre a localização dos famigerados fiscais inanimados, tão ridiculamente apelidados de “chupa-cabras”, como uma coisa que a população abomina, apesar de se saber que o trânsito de Salvador precisa ser melhor disciplinado, todavia precisa crescer com os erros de décadas ora revelados pela explosão demográfica experimentada pela cidade-verão; e, sem dúvida, precisamos dividir estas agruras com quem está gerando tais problema de melhoria ou redução dos traumas do caótico trânsito de Salvador. Será que alargamentos de ruas ou novas avenidas venham solucionar os congestionamentos decorrentes do grande número de veículos no trânsito, pois que em São Paulo não se logrou êxito e todas as tentativas de parar os motoristas têm resultado em insucesso, para tanto não bastando nem os muitos viadutos e passarelas para pedestres ali observados? O que de fato deve ser feito para por fim nos insuportáveis, neurotizantes e cotidianos engarrafamentos de nossa belíssima Salvador?

 

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TEMPOS TRISTES

Oswaldo Francisco Martins

 

Que vergonha é para o mundo culto!... Meu Deus! Como pode a  Bahia, à guisa de exemplo, sob comando dessa tal mídia imposta, estar atualmente investindo na contracultura deste estado e, por decorrência, desta nação, fato que decorre da intervenção danosa da mão de políticos corruptos, achincalhadores do poder por aqui e no planalto central, vendedores cruéis de bens e valores nacionais ao capital estrangeiro. Mordem pontas em processos vis, em crimes de lesar-pátria e corroboram com o apodrecimento material do país, o qual, de forma premeditada, está também a destruir todos os demais valores do povo do Brasil. Refiro-me diretamente aos criadores de pseudo-valores e dos desdobramentos destes, moldados e destinados para o ato criminoso de ludibriar o povo inocente, imerso em carências mil e, pela ação governante, posto a viver sem boa qualidade de vida, de modo que considerável parcela da juventude e dos ditos velhos (seres portadores tão-somente de idades cronológicas!) acredita que a vida para o ser humano repouse em lances momentosos, em flashes de encantos e gozos, como aqueles gerados por lindas moçoilas do tipo semelhante às utilizadas pelo É O Chan, com tentadores rebolados de genitálias insinuantes ou direta expressão de explícito apetite sexual dirigido aos homens, beldades induzidoras de moda no vestir das mulheres que desejam imitá-las, agradar pretendentes, além de imoralmente ditarem roupas sensuais para crianças inocentes, em tenra idade. Somam-se ao contexto de tal propaganda danosa as “potentes vozes” (Paulo Fortes, Agnaldo Rayol, Agostinho dos Santos, Marisa... que me perdoem, os vivos e os mortos, pela comparação esdrúxula!) e as “magníficas letras e músicas” (que a alma de Castro Alves tenha paciência comigo!) dos integrantes daqueles “conjuntos musicais” (com licença da má palavra!). Cultuam  e cultivam o esplendor de “capacidades artísticas” (que Deus e os verdadeiros amantes da arte valorosa me perdoem!).

 

O processo deletério em foco, empobrecedor e comprometedor da evolução da sociedade dos homens, contempla esquecer vultos como o maestro Carlos Gomes. Por sorte, ainda temos Caetano Veloso, João Ubaldo e não faz muito tempo que Jorge Amado partiu deste mundo para o além - sem dúvida, envergonhado pela perda axiológica decorrente dessa trama perversa imposta ao povo pela mídia falsa, interesseira, perigosa, danosa à sociedade ora concentrada em elementos xucros, carentes, não ou muito pouco informados, alienados, drogados, idiotizados, imbecilizados... Fica a sociedade, pois, conforme já fora dito modernamente em certa música de Zé Ramalho, qual “gado ferrado”. Sim, tudo é moda!... Tudo é igual!... Não é necessário pensar-se, não é preciso manter-se na posição de único ser pensante neste planeta, muito menos por aqui!... E, por decorrência, estão a desaparecer os valores de referência do estado e do povo, num processo assustador e medonho (coisa do demônio!), o qual tem levado o cérebro humano a entrar em latência, haja visto a letargia com a qual se arrasta hoje (em instante histórico de alienação profunda!...). Ataca e corrói a mente adulta e priva e mata àquela ainda nascitura e em formação. Penso que vivemos o momento de dar adeus à crítica cosmológica pelo ser humano novíssimo. Sei que a grande parcela do povo, mais que em tempos idos, já não sabe mais apreciar a arte nem os valores positivos da cultura, sequer possui elementos para tal façanha. Mais diretamente à Bahia e ao Brasil, o baiano e o brasileiro já se nos parecem ter lamentavelmente esquecido de inúmeros outros nomes da história da Bahia majestosa, de tanta riqueza, de muito esplendor... Acredito podermos comprovar que a maioria da população já não saiba de coisa alguma que encerre real valor cultural. Portanto, lastimavelmente, o saber mostra-se-nos faltoso para com a dignificação do homo sapiens e para com o nosso grande Criador (por certo, muito sofredor com toda essa canalhice sem limites, que tanto tem castrado o nascedouro do bem-estar entre os homens de valor). Ignoram-se Navios negreiros, Espumas flutuantes, Oração aos moços, a História da Bahia (e do Brasil), a data 2 de julho, as músicas de Dorival Caymin e tantas outras preciosidades baianíssimas ou baianas da gema, senão autênticos patrimônios da Humanidade. Lamento que tanta gente inocente mantenha os corpos sãos e as mentes ocas ou vazias, todavia entendo a razão e os aspectos deletérios do que ora exponho: decorrem do domínio maquiavélico, planejado contra a sociedade por expertos, projetistas de crimes que deformam a natureza do homem; e, só me resta pensar que o “lobo do homem” ainda esteja bem vivo!... E, cá com meus botões, indago até quando haveremos de conviver com esta terrível involução do homem? É a isso que chamamos de tempos moderníssimos! Ou estes não seriam mesmo hodierníssimos?

 

Tenho certeza de que posso substituir a Bahia por qualquer outro estado brasileiro sem que este texto deixe de ser adequado para a realidade inerente ao povo mirado, sem perda alguma sobre a mensagem passada sobre a deformação social dos tempos atuais. Lamento!

 

 

 

 

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