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A sinédoque
falsa: a titulação pelo saber
Por Oswaldo Francisco Martins
1. RESUMO
Trata-se aqui a exigência do MEC, dentre muitas outras,
relativa aos índices percentuais para especialistas, mestres e doutores
dentro do corpo docente de cursos superiores, o que, quando não atendido,
poderá acarretar a não autorização de funcionamento para instituições de
ensino superior novas ou o não reconhecimento de faculdades já em operação,
sempre cabendo a obrigatoriedade de adequação do indicador exigido pela
instituição educacional. Assim, faculdades podem receber conceitos baixos,
mesmo tendo o funcionamento liberado ou logrado êxito na etapa seguinte de
reconhecimento, o pode comprometer seu market-share, o que é
indesejado por seus dirigentes e donos. Por sua vez, cursos já
reconhecidos, porém desobedientes aos critérios mequeanos impostos pela
gestão atual são publicamente intimados a mudar o perfil de mestres e
doutores em seus quadros de professores, ao tempo que são ameaçadas suas
licenças de funcionamento. Outros itens engordam tal apreciação:
instalações, laboratórios, bibliotecas, etc. Eles podem implicar no
comprometimento da normalidade das instituições quando afastados dos
valores estabelecidos na avaliação do MEC.
Criticam-se aqui o índice “frio” por não medir o saber dos
facilitadores nem as habilidades adquiridas, não assegurando competência de
professor ao portador de título de especialista, mestre ou doutor, não
fazendo parte da história do ensino superior brasileiro tais números
mágicos. A rigor, o autor entende que não se pode qualificar uma
instituição de ensino por índices desse tipo, mas pela experiência
comprovada e pela eficácia atingida pelo professor no ensino de disciplinas
da grade curricular, no domínio e manipulação dos conceitos nelas contidos
e pela prática laboral relativa ao emprego correto e a aplicação ampla dos
conhecimentos inerentes àquelas cadeiras devidamente inseridas na grade
escolar atrelada à proposta de cada curso.
Indicadores de universidades seculares foram estabelecidos
ao longo de uma história longa, nascida e crescida em realidades diferentes
da brasileira, daí pensar-se que não devem ser copiados e socados na
ambiência de nossas faculdades e universidades. Reconhece-se, contudo, que
titulados, habilitados para o ensino por terem vivências de magistério
requeridas e participações e aplicações laborais alinhadas com o conteúdo
ministrado das disciplinas, poderão integrar índices daquele tipo, porque
só assim repousará o saber real e indiscutível como suporte ou fatos e
dados para o número ou indicador mudo, portando dando-lhe valor real e
mensurável, o qual norteará e garantirá a certeza de respeitos dos
docentes, discentes e da comunidade ao facilitador. Para este índice assim
concebido, seu valor ainda se nos parece baixo, afinal a história brasileira
de especialistas, mestres e doutores é muito recente. O saber, por sua vez,
é mais velho e conhecido pelos professores do ensino superior, o que é
primordial na formação de cidadão. Existe ainda o saber para ser repassado
por graduados e especialistas, não podendo o país ter o luxo de dispensar
esta contribuição na formação superior de seu povo, devendo-se rejeitar a
vaidade do título ou a maquiagem pregada pelo MEC, posto que o compromisso
do ensino é formar e capacitar o homem e nunca titulá-lo sem o devido
vínculo à real nobreza do saber.
Associa-se o saber e sua capacidade de levá-lo ao alunado
como os promotores de valor que modificam o homem em curso de graduação, o
qual haverá de melhorar a sociedade após formado intelectualmente para ser
cidadão, não apenas um mero titulado.
2. A FISCALIZAÇÃO DO MEC
Consultores ad hoc visitam, apreciam, julgam e dão
pareceres que decidem ou pela continuação ou pela reprovação da vida de
instituições de ensino superior através da verificação e quantificação de
títulos do corpo docente, além de uma gama de outros itens de mera
pontuação direta e explícita, com incorporação de valores subjetivos e até
intangíveis. Na tela, como verdade, tem-se a competência de professores
“segurando a barra” de faculdades e universidades e não o contrário! Desta
forma, instituições públicas ganham fama e reputação. Às privadas fluem
dinheiro de bancos privados e governamentais, além de mensalidades do
alunado superior. Nelas há crescimento fantástico e megagalático nesta
terra de cego, afinal os empresários do ensino particular têm um ou mais
olhos!... Portanto, descortina-se aí o molde configurado para o ensino
superior, alicerçado em “princípios” tão-somente garantidos por
“educadores” alinhados por teorias novíssimas, originárias, enfatizadas e
defendidas dentro do governo FHC, logicamente não asseguradas para novas e
sucessoras gestões políticas do MEC no porvir inexorável.
No futuro, amanhã, a história do ensino brasileiro detalhará
a verdade que se nos esconde detrás de formalidades que não agregam valor
algum para a educação nacional, especialmente quanto a formação de terceiro
grau.
3. ALGUNS DOS CRITÉRIOS MEQUEANOS
Professores de décadas de experiência e quilômetros de chão
de sala de aula são agora preteridos por mestres e doutores “borrachos”,
quando muitos destes titulados são a rigor carentes de vivências em
atividades de magistério para contar sequer uma historinha tímida, não
trazendo e não portando, por vezes, conhecimentos próprios ou
obrigatoriamente inerentes às licenciaturas. Mas são mestres, são doutores!
Desconhecem as escolas da psicologia educacional, ignoram os fundamentos da
didática, afastam-se das facilidades exploradas pela metodologia e prática
de ensino. A educação faz-se negligenciada por tais mestres e doutores
exageradamente louvados pelo Ministério de Educação e Cultura - MEC, órgão
autorizador de licenças e permissões de funcionamento de escola de terceiro
grau, certificador e ditador de reconhecimento de curso em faculdade nova
ou antiga.
É comum o MEC se fazer representar por professores de
instituições estaduais e federais por ele convocados e pagos para realizar
missões avaliatórias de cursos a instalar e instalados no país, voltados
contundentemente à pontuação ou à classificação de faculdades,
atribuindo-as criticados e contestados conceitos A, B, C, D ou qualquer
outro que possibilite a formação de um ranking ou de uma
classificação pautada em critérios diversos, em que se incluem a ausência
de conceituação maior sobre o processo ensino-aprendizagem recomendado para
as faculdades e universidades brasileiras, abordador das realidades
nacionais e destinado à melhoria de vida deste povo. O processo em curso se
nos apresenta fraco, preocupante, propositadamente sem sustentação para
garantir benefícios e vantagens na tarefa diária de qualificar estudantes,
portando falha via conotações autoritárias, assistemáticas, ilógicas...
Sim, carregam incongruências marcantes com relação às necessidades de nossa
sociedade quando atendem interesses destoantes da verdade, os quais são, à
luz da franqueza, pelo menos, discutíveis... São critérios que carecem de
discussão. Sabe-se, contudo, que podem ser radicalmente contestados quando
entendidos como incorretos, após concluído o processo avaliatório de uma
“comissão”, cujo trâmite legal para reparação de erro(s) cometido(s) segue
através de ação formal do interessado, dono ou representante da instituição
de ensino incomodada. Dirigente ou dono de faculdade pode Ter tantas avaliações
quanto queira, afinal ele paga por cada uma delas e o MEC não pode
legalmente deixá-lo de atender tais solicitações.
4. A REALIDADE SOBRE DOCENTES EM CURSOS SUPERIORES
No processo avaliatório citado anteriormente, com relação ao
facilitador, reconhece-se como capaz apenas o especialista, o mestre e o
doutor (e o pós-doutor, óbvio!). O resto é resto!... Resto carente em
competência ou “nobreza” em ciência e tecnologia, em arte, religião e
demais áreas estratificadoras do conhecimento. Não detentor de título, o
saber do restante pouco ou nada vale! (Quão ridículo é pensar-se deste
jeito míope, autoritário, discriminatório e unilateral!...)
À luz da razão e da realidade concreta deste país, o que
fazer com os professores formados há vinte ou trinta anos ou a quatro ou
mais décadas, muitos deles donos de e já trazendo experiências de ensino
com sucesso estabelecido, firmado e firme, estendidas inclusive a cursos de
pós-graduação, quando sabemos que muitos facilitadores portam bagagem
desenvolvida em grandes e importantes empresas, verdadeiras escolas
operantes, alguns deles detentores de mais de uma graduação? E os
especialistas que são egressos de cursos de especialização sérios, tais
como o são aqueles de mais de mil horas, quando hoje o MEC exige para carga
horária o cumprimento diminuto de 360 horas-aulas se, pelo que se percebe,
os facilitadores estão e deverão continuar também rejeitados quando
contribuírem especialmente para reduzir o índice “mágico” do percentual
exigido pelo MEC de mestres ou de doutores da instituição em que ministram
aulas? Aliás, de onde será que vem tal definição idolatrada pelo MEC e que
deixa enlouquecidos diretores acadêmicos a procurar por profissionais
rarefeitos no mercado ao serem requeridas tais qualidades singulares e, por
cima de tudo, que estejam dispostos a perceber proventos de momento? Quais
são os fundamentos que suportam aqueles indicadores sem história? E por que
será que as faculdades os aceitam passivamente? São indagações deste
escritor afeito ao método científico, não acatador de inconsistências no
trato de questões de suma importância para a nação, evidentemente
preocupado com a verdade e não com distorções agressoras desta, polarizadas
em interesses nefastos, errados e oriundos de regedores inconseqüentes da
educação dos filhos desta terra. Frisamos, a bem da verdade, entretanto,
que muitas escolas superiores acatam curiosamente a imposição mequeana no
tocante apenas às exigências sobre a titulação do corpo docente, porém, ao
contrário da grande maioria delas, selecionam professores de competência
indiscutível. Sabemos também de escolas que optam por empregar grandes
facilitadores (muitos de renome até mundial!) e, por conseguinte, ignoram
as cobranças do MEC. Aquelas escolas últimas fogem dos ditames esquizofrênicos
dos caciques de Brasília e guardam, assim, estreiteza de suas ações com o
saber e sua passagem máxima ao alunado normalmente jovem, uma vez que se
mostram imbuídas da vontade de melhorar, de fato, as coisas por aqui e
fazer chover no roçado brasileiro. Como o autor que se expõe é ou fora
professor de algumas delas (mequeanas e não mequeanas) em Salvador, Bahia,
o bom tom ético nos diz para não nomeá-la(s) aqui, fato este que
assinalamos. Fora da Bahia, sabemos de escola de terceiro grau, na área da
administração de empresas, que funciona exemplarmente em São Paulo.
Trata-se de curso superior em administração pertencente a empresário baiano
de ensino (dono e dirigente bem sucedido de escola de nível médio - e de
qualidade! - na Terra de Todos os Santos), onde é priorizada a contratação
de facilitadores com experiências refinada e destacada no processo
ensino-apredizagem, de bagagem laboral longa e vitoriosa, ou melhor, de
professores realmente competentes.
Não precisamos falar dos salários magníficos praticados
naquele tipo ora revolucionário de escola, obviamente por pertencer a quem
sabe muito bem (e de forma independente de quaisquer outros motivos) o que
o MEC deveria fazer e por não acreditar na continuação do que então está
posto como exigência por aquele ministério, não obedece ou segue a linha
mequeana, não deixando de abocanhar um alunado mais preparado para seus
cursos extremamente procurados por vestibulanos e, também, por alunos
especiais ou já com formação superior concluída, todos desejosos de uma
formação plena de enriquecimento sobre o campo da administração. Aquela
escola destaca-se pela excelência da formação superior que proporciona a
quem ela procura e não pelos índices de títulos do MEC..
5. CONTRA-EXEMPLOS SOBRE ÍNDICES MEQUEANOS
Neste ponto, perguntas várias levam-nos a paradoxos: que
tipo de avaliação os “senhores” do MEC fazem de César Lattes, cuja
contribuição à Física fora e continua sendo maior que a de muitos desses
mestres e doutores brasileiros juntos em várias áreas do conhecimento e por
período de muitos anos, além da importância para a humanidade de suas
descobertas que lhe valeram a atribuição de co-descobridor da partícula
subatômica méson p? Devemos demiti-lo ou cassar a descoberta do méson p porque ele não é “mestre” e não é “doutor”, mesmo tendo
escrito tantos papers que a maioria dos físicos mestres e doutores
desta Terra Brasilis jamais tenha lido por motivos naturalmente
“ignorados”? Devemos tirá-lo ou expurgá-lo do meio acadêmico e, para o MEC
ficar plenamente satisfeito ou atendido em suas vaidade e rigidez
avaliatórias de competências das escolas superiores, elegermos um punhado
de “diplomados” em mestre ou em doutor? E quantos são os mestres e quantos
são os doutores que precisamos admitir nas escolas superiores para
equipararmos os “saberes” titulados ao tão-somente graduado conhecimento de
Lattes - se possível, óbvio, fosse contabilizar em equivalentes de modernos
mestres e doutores, de sorte que se pudesse alcançar um ganho real de
qualidade no processo ensino-apredizagem no âmbito dos cursos superiores
brasileiros? Será possível encontrar justeza para proceder-se tal
mensuração?
Para não ficarmos apenas no caso Lattes, o que dizer dos
rábulas? Será que os advogados “de porta de cadeia” poderão anular a
cultura advocatícia dos eficientes rábulas? E o que dizer dos advogados e
de tantos outros profissionais licenciados e bacharelados, mas que nunca
obtiveram registros em conselhos de classe pela triste razão de tomarem pau
ou reprovação em exames destinados à verificação de conhecimentos na área
de formação superior, esta compatível à diplomação em curso de terceiro
grau reconhecido pelo “crivo” do todo poderoso MEC? Quanto aos professores
apenas graduados, o que fazer com eles, se são escritores de obras
publicadas, tais como livros, artigos tecnico-científicos, ensaios e,
muitas vezes, os escritos transcendendo inclusive a seara de suas atuações
particularizadas em disciplinas onde bem ratificam o saber sob domínio
enquanto professores? Este autor, por sua vez, é escritor como tantos
outros profissionais deste mundo de Deus, não graduado em Letras Vernáculas
e é também detentor de muitos títulos literários nacionais e internacionais
em justas literárias, ocupando ainda cadeiras em diversas academias
literárias nacionais. Será isto danoso à literatura, aos homens, à
sociedade? Deverão ser invalidadas aquelas conquistas, seus livros deverão
ser jogados ao fogaréu de Nero, uma vez que ele não possui ao menos o curso
de Filosofia? E quantos são os mestres e doutores em letras sem escritos
publicados, profissionais “qualificados” como certos pelos “ditados”
caminhos mequeanos? Enfim, podemos observar inúmeros mestres que “botam” no
bolso doutores, graduados que “atropelam” velozmente mestres, etc.. Feitos
reais bastam à realidade dos homens e nunca títulos de vaidosos que não
geram ou produzem feitos, o que corresponde ou eqüivale a respeitar a
inteligência que Deus facultou singularmente ao homo sapiens.
Professor algum deve valer pelo título que dispõe, mas sobretudo por sua
obra destinada à melhoria do bem-estar social e, por conseguinte, da
humanidade, o que tem haver com a prática do bem, de fato.
Curioso, mas em sintonia ao exposto antes, detenhamo-nos no
que ocorrera ao Prof. José Dário Soares, catedrático da Escola de Agronomia
da Universidade Federal do Ceará - UFC, onde na década de setenta dos anos
de mil e novecentos, ali lecionava as disciplinas Mecânica Racional,
Hidráulica e Topografia. Imbuído de muita determinação, aquele professor
desenvolvera a catálise das idealização e instalação do Curso de Mestrado
em Agronomia, definindo um grupo de professores para fazer inicialmente o
mestrado nos Estados Unidos, onde deveriam lograr as qualificações para
compor e ajudar na empreitada e no start-up da dita pós-graduação na
UFC. Tudo funcionara a contento, de forma tal como fora programada e
perfeita acontecera e, depois que regressaram titulados, numa ação repleta
de corporativismo maléfico e faltantes em moral e ética, fato impulsionado
pela elasticidade do caráter de alguns componentes daquela “elite”,
rejeitaram as aulas do Prof. Dário no mestrado então implantado, decisão
que fora vergonhosamente informada pelo diretor do Curso de Agronomia à
vítima traída, durante reunião interna do próprio departamento segregante.
Naquele instante, de modo claro, indignado com a desconsideração ou
agressão à sua pessoa enquanto professor competente e dedicado ao
magistério, de modo curto e grosso, disse:
- “Eu escolhi cada um dos participantes daquele mestrado.
Exclui a mim mesmo por questão de respeito à moral desta escola em que
ainda trabalho e, depois, orientei e corrigi as teses de todos eles. Aliás,
as tenho corrigidas em minha casa. Muito obrigado!”.
O saber do cearense Monte Arraes, Secretário da Justiça de
Getúlio Vargas no Rio Grande do Sul, homem jamais graduado por escola
superior alguma, ficara para os brasileiros estudiosos e usuários das leis
na forma de livro sobre direito que ele escrevera.
É claro e indubitável não poder-se negar o saber através de
corporativismo segregante como aquele que apunhalou o Prof. Dário, vaidade
ou por aplicação simples de lei, norma ou qualquer ferramenta marteladora
ou asseguradora de proteção de interesses particulares ou de gente menor ou
rasteira e, quando acontece de registrarmos algo, na forma escrita, by-passamos
a oralidade para sempre e o esquecimento decorrente dela não poderá marcar
presença jamais! E, assim, demonstrar-se uma tese a partir de hipótese(s)
falsa(s) é chegar-se a resultado(s) falso(s) dentre infinitas teses outras,
não verdadeiras e, portanto, valor positivo não se pode alcançar - graças a
Deus, ou melhor, materialisticamente, ao grego Aristóteles!
Particularmente no país dos desdentados, da ausência da
profilaxia bucal e da falta de educação para tal, o que seria dos dentistas
famosos se não fossem os protéticos práticos? Como seriam os sorrisos hollywoodianos
daqueles que perderam os incisivos permanentes? E qual o sorriso banguelo
que desprezaria a prótese bela, confeccionada pelo habilidoso e não
graduado protético? E será que o desdentado aceitaria de bom grado a bridge
deformada pela mão do dentista mestrado ou mestre ou portador de título de
PhD?
E os doutores honores causa? Como auferir ou mensurar
os benefícios sociais provindos dos conhecimentos de “seu” FHC, por
exemplo, e como utilizá-los em nome das ciência, arte, técnica, tecnologia,
filosofia, religião, ... nesta terrinha linda, que o doutor focado vem
atirando às feras gringas nas arenas dos impérios do globo, hoje mais
escravizada do que nunca fora em toda a história de cinco séculos de
corrupção?
Sobre faculdades, com cursos nas áreas I e II, o que fazer
com professores unicamente graduados, entretanto detentores de prática
laboral indispensável em campos complexos das muitas disciplinas que
dominam com profundidade e onde ministram aulas há bastante tempo? Mestres
e doutores recém-diplomados, muitos deles com títulos da Guarda Nacional,
sobrepujarão os profissionais experientes, corretamente tornados
facilitadores, que possuem a autoria de inúmeros projetos bem sucedidos por
onde passaram?
6. O ENSINO MERTICANTILIZADO DO 3o GRAU
Sabe-se que a audiência (do alunado contemporâneo) apresenta
fraquezas concernentes às deficiências do ensino médio brasileiro, o que os
tem feito dirigirem-se às vagas superiores ofertadas por escolas privadas e
de acesso menos dificultoso, as quais não param de espraiarem-se e
avolumarem-se no território nacional, revelando o aproveitamento magistral
da situação à deriva do ensino superior nacional por empresários da escola
mercantilizada ou que a esta se converteram em função da demanda
extremamente favorável ao negócio, explodida em serviços no terceiro grau,
fato este conhecido de todos e malignamente alimentado pelo desprezo sabido
ou pela falta de responsabilidade demonstrada por Brasília
desrespeitosamente contra a formação de graduados no gigante adormecido e
torturado pela aplicação de crimes através de políticas econômicas
deletérias e comprometedoras do futuro da nação, garantindo-se, no porvir
(tenebroso), o usufruto provável da pátria aberta e livre aos impérios
capitalistas vigentes no globo, ávidos por terem suas garras crescidas e
fincadas contra países uma vez qualificados de atrasados, menos
desenvolvidos ou em desenvolvimento, preferencialmente aqueles ricos em
natureza pródiga, do quilate do Brasil, bondosamente proporcionada pelo
Criador.
Por que o MEC não confirma e aceita primeiramente o saber
real e verdadeiro independentemente da titulação de “nobreza” do professor
graduado, pelo menos, de modo que se tenha a garantia ao aluno do terceiro
grau de UMA formação objetiva, concreta e certeira em cidadãos, entes para
a melhoria da sociedade e não unicamente de “diplomados” inúteis, após
notas péssimas no conhecido “provão” descriminador ou incriminador das
qualidades ruins ou más que revelam, quase sempre logradas depois de
cumpridos cursos “certinhos”, todos já devidamente “reconhecidos” pelo MEC
atual?
Será que os cursos superiores brasileiros precisam ter
tantos mestres e doutores como acontece nas seculares escolas européias?
Será que estamos estendendo a globalização sinistra e nefasta ao ensino
superior? Será que as escolas nacionais vão também importar os níveis de
remuneração praticados no mundo rico e culto aos professores tupiniquins
com títulos de mestres e doutores, elevando e dignificando o exercício da
cátedra por aqui? Ou será que o MEC ainda não percebeu que título não
significa necessariamente o mesmo que saber, conhecimento e proficiência, que
existem mestres e doutores que podem ser pesquisadores, por exemplo, mas
não são professores no sentido estrito da palavra? Será que ser titulado
significa deter conhecimentos necessários e suficientes para a nobre função
de professor e isto está alinhado ao propósito, de fato, de servir ao
alunado que ora tem a vida ou passagem meteórica na escola de terceiro
grau, hoje em diminuição relativamente à vida do aluno ativo e vitorioso,
sem pendência ou dependência de disciplina a cumprir, regularmente matriculado,
por conveniência mercadológica e nunca pedagógica, subvertendo-se a
prioridade correta na busca de melhoria continuada do ensino superior, cuja
implicação repousa no encurtamento da duração de cursos ditos “enxutos” e
com deficientes ou já incompletas grades curriculares - à moda de outros
cantos do mundo desenvolvido e globalizante que está a nos envolver, onde
outras realidades existem e não permitem o estabelecimento de paralelo com
o que acontece por aqui?
Será que podemos comparar professores capazes de ministrar
aulas em várias disciplinas e em diferentes cursos - porque dominam o saber
e detêm a prática laboral utilizadora daquelas informações - com aquele
professor “limitado” que explora a preciosidade ridicularizada por Bernard
Shaw, quando o dramaturgo dinamarquês definiu o especialista com conclusão
imediata e “pejorativa”, afirmando que “o especialista é o homem que sabe
cada vez mais num terreno cada vez menor, o que o fará chegar a saber
tudo... sobre nada.” Recentemente, Roberto Crema, reitor da UNIPAZ -
Universidade da Paz, Brasília, DF, em palestra no auditório da Câmara dos
Deputados, afinado com o pensamento de Shaw, colocou o marco inicial da
implícita cultura do cientista, a qual é exercitada pelo diplomado de menor
nível na estratificação de títulos ou a porção menos “nobre” da pirâmide da
suposta capacitação dos titulados: “especialista é aquele que sabe quase
tudo de quase nada”. Crema estabelecera o limite superior de uma escala de
conhecimentos, sendo esta extremada e descontinuada na pilhéria de Shaw
antes apontada. Na linguagem popular, crua e coloquial, com crueza,
chamamos tudo isto simplesmente de cultura inútil, todavia ressaltamos que
Shaw fizera certamente uma anedota ao pensar na não continuidade ou na
impossibilidade de se completar o conhecimento idealmente, nível em que o
trabalho do cientista poderá lamentavelmente desembocar! Pierre de Latil, à
pagina 7 da sua obra citada antes, registra a frase sábia de Pascal que
jamais se superará no tempo: “Vale muito mais saber alguma coisa sobre tudo
do que saber tudo sobre alguma coisa”. Sabemos, entanto, que a sociedade
nos cobra e sempre haverá de nos exigir melhorias fatuais e isto não se
poderá esconder detrás das vestes da negligência de faculdades ou da
elasticidade do caráter de alguns dirigentes aproveitadores do caos - deterministicamente planejado por Brasília - instaurado no ensino superior nacional, cujo panorama e
cenário futurístico já mostram as mangas, estas “rasgadas” pelos resultados
ridículos ou pífios revelados no “provão” do MEC, havendo “rasgos” e
estragos causados por graduandos quasi analfabetos que estão a
adentrar a escola superior ou a deixar o terceiro grau, além de outras
tristezas mais que denunciam o pagode instaurado no ensino superior, fato
que nos impele a forçar e exigir medidas corretoras e urgentes. A pulga
está detrás de nossas orelhas!
7. COMO DEVERIA SER A AVALIAÇÃO MEQUEANA
Avaliações subjetivas ou objetivas necessitam ser criticadas
e ter seus melhoramentos assegurados. Precisamos indubitavelmente de
mestres e doutores de verdade, experientes e, para citarmos alguns campos
do saber humano incomensurável, alinhados com o progresso tecnológico e
conhecedores de ambientes fabris, executores e participantes de programas
de extensão, de pesquisas ditas “pé no chão” e não das chamadas
investigações sobre “o sexo dos anjos”. Eles precisam estar comprometidos
em formar mentes voltadas para a melhoria da humanidade e não apenas para o
trivial preenchimento de campos em formulários fornecidos pelo MEC, com
obrigação de atendimento e atingimento de índices e indicadores para medir
titulações, que a rigor não qualificam instituição alguma sobre a ótica
apreciadora das competências e excelências acadêmica, científica,
tecnológica, axiológica, dentre muitas outras possibilidades usáveis e
imagináveis que ora integram a ação mequeana para o escalonamento buscado
de escolas operantes e a entrar em funcionamento, deflagrando-se aí a
invenção de um processo, a fórceps, de custo elevado e prejuízo alto para a
nação. Talvez, um dia, em função dos malefícios decorrentes, algum jurista
idealista, nacionalista, imbuído de nativismo, possa entendê-lo como crime
de lesar-pátria!... A História haverá de confirmará tal certeza.
É triste vermos professores que contribuíram dignamente na
formação superior de centenas ou milhares de alunos ao longo de décadas
estarem sendo agora marginalizados pelas exigências mequeanas, logicamente
míopes pela objetividade inconseqüente e praticada ridiculamente por
tecnocratas do ensino decadente e/ou em falência, estes sentados em torres
de marfim e a exacerbar vaidades sobre títulos obtidos de mestre ou doutor,
sem preocupação com as importância e dignidade do saber, tudo decorrendo de
terem pouco ou nada contribuído concretamente para um viver melhor do ser
humano, pelo menos, na Terra Brasilis. Sem dúvida alguma, não se
pode omitir a existência de mestres e doutores plenos e “completos” (graças
a Deus!), os quais Roger chamaria de facilitadores verdadeiros, com vocação
positiva para o magistério e sintonizados em humanismo realista, autêntico,
desligado da ambição orientada essencialmente para a consecução de salários
altos. São eles do tipo que acredita e luta pela instituição de ensino à
qual está vinculado porque o saber e os trabalhos desenvolvidos, que
implicam na consolidação do conhecimento, suplantam o chamariz de proventos
“gordos”. São, contudo, muitas vezes, vulnerárias aos chamados e às
convocações de instituições privadas que lhes oferecem a chance de realizar
pesquisas, experimentos laboratoriais, contatos com grupos de pesquisadores
de instituições outras, para desenvolverem trabalhos afins e correlatos aos
campos de incursões investigatórias em andamento, tudo isto apenas para
citar um exemplo pontual. Todavia sabe-se que a existência deste tipo de
migração de cérebros está a rondar com maior insistência instituições
federais e estaduais que deixaram de ser assistidas adequadamente pelos
“podres poderes”, por negligência ou devido a crimes outros e igualmente
possíveis.
8. UM MODELO PÉ NO CHÃO DE ESCOLA SUPERIOR PARA O BRASIL
Devemos nos posicionar a favor de uma escola superior que
contemple o ensino, a extensão e a pesquisa em todas as suas formas, num
processo de “produção” de bem-estar destinado a assegurar dignidade à
sociedade, o que seguramente justifica toda e qualquer escola séria. Nela,
professores e pesquisadores alinham-se com os presente e futuro melhorados
do ser humano e rejeitam qualquer posição deletéria gerada e gerida em
ambiente de burocrata(s) vaidoso(s), de alma vendida ao diabo. Abaixo o
engessamento pela titulação! Viva a competência dos docentes!
No modelo de escola que vislumbramos, os facilitadores
conceituam, manipulam os conceitos abordados e depois os aplicam na
interpretação, estudo, modificação, adequação, estabilidade, controle e
otimização de situações focadas, escolhidas para estudo pela importância
para o graduado a ser formado. Exige-se, por conseguinte, conhecimentos que
transcendem meros pontos inerentes exclusivamente à disciplina abordada,
requerem experiência e capacitação em atividades afins, pois, na verdade,
Shaw e Crema expressaram-se de modo consciente com respeito a ambientes de
pesquisa e pesquisadores. A polivalência ensino-extensão-pesquisa, como
acontece em muitas instituições estaduais e federais brasileiras ocorre com
pouca eficácia e sem história de efetividade alguma, e revela
freqüentemente uma forma de sobrevivência para docentes ou um by-pass
destes para receber valores monetários de bolsas públicas e/ou privadas, os
quais se somam aos salários miseravelmente aviltados pelo MEC e por
governos estaduais. Também, incorporam-se à disputa de bolsas o objetivo de
realização de extensão de ensino e pesquisas técnica, científica e
tecnológica negadas pelos governos federal e estaduais, através do sabido,
crescente e continuado corte de verbas públicas para o ensino superior,
fato este consubstanciado no afastamento de docentes e outros tantos
malefícios advindos do golpe militar contra a nação brasileira,
naturalmente desde 1964. Sem dúvida alguma, vem tendo aproveitamento do
espaço vagado daquele serviço nobre e imprescindível, medido pelas quedas
desastrosas de oferta de vagas e de falta de qualidade no terceiro grau,
porque estão a aumentar os empresários a assumir aquele papel e a preencher
tal vacância. Poderiam, como dever cívico, reformar a escola superior, com
seriedade e nativismo, pois detêm o poder quantificado em cifrões e porque
são brasileiros! Muitos empreendedores agem, entanto, como aves de rapina
em negócios ao explorarem a “boca” nova, voltados unicamente para engordar
fortunas - ou mesmo fazê-las! - e objetivam o lucro provável, rápido e demasiadamente atrativo,
quando a problemática em foco pertence a todos os brasileiros e os governos
não se nos têm mostrado e não estão mesmo a se nos apresentar comprometidos
com a melhoria exigida para a decência da escola superior. Enquanto
perdurar a inserção do caos brasiliense no ensino de terceiro grau,
igualmente ao que já acontece na forma de lama degrada que varre os
primeiro e segundo graus há décadas, o dever de buscar, lutar e forçar
mudanças imediatas é de todos os filhos sérios e comprometidos com os valores
nobres da educação e com o futuro da nação.
Posto que o “modelo” vigente, de vaidade exacerbada pregada
pelo MEC sobre a titulação, sobreviverá tão-somente se mantido o
continuismo na regência do ensino superior do Brasil, devendo ruir se a
oposição nacionalista e nativista vencer as eleições presidenciais de
outubro de 2002. Oxalá as perdas do ensino não sejam tantas até pormos os
pés no chão, a mão no coração e o processo ensino-aprendizagem nos trilhos
certeiros e sob o comando de cérebros não vaidosos, mas sápidos e, antes de
tudo, com idéias de gente de valor e de caráter inelástico.
9. 3o GRAU VERSUS REALIDADE ATUAL: POSTURA
DOS DOCENTES
Somente para parafrasear o filósofo alemão Nietzsche, que
nossa luta seja por um terceiro grau com professores sabidamente
competentes, de competências definidas e, por conseguinte, avaliáveis
concretamente com fatos e dados de uma história incorrigível e não apenas
especialistas, mestres e doutores, todos ainda crus com “canudos”
garantidos; e, que nossa satisfação repouse no progresso da sociedade, este
decorrente da ação de cada aluno que formamos em cidadão para atuar como
agente promotor da melhoria indispensável do viver no mundo justo dos
homens de bem!
Conforme visto por Marx em 1848, hoje, 2001, sabemos, com
muito mais facilidades, que a mais-valia está extremamente selvagem a
massacrar o trabalhador: o pobre está mais pobre e o rico tem ficado cada
vez mais rico. A riqueza está mais concentrada e a pobreza tem se tornado
cada vez mais difusa. Alfabetizado não é aquele que lê, escreve. É, porém,
quem interpreta, reflete e infere. Não é a casca que assegura o conteúdo
bom e valoroso! Carecemos de refletir agora, o tempo não espera e o porvir
nos absorve a todo momento. Portanto, ajamos já ou do contrário haveremos
de chorar o leite derramado amanhã.
Educadores do Brasil, uni-vos!
Oswaldo Francisco Martins
Salvador, 30 de setembro de 2001.
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