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Estávamos tranqüilos e de bem com a vida, tanto que resolvemos
ir ao clube, eu e meu marido, a fim de desfrutarmos de algumas atividades
oferecidas no local.
Na saída, ao retirarmos nossos
pertences no “guarda-volumes”, constatei que minha bolsa havia
desaparecido.
Embora fizéssemos um
grande reboliço naquele clube, na tentativa de solucionar o problema, nada
nos fez recuperar minha bolsa, nem ao menos descobrir o responsável por tal
ato ilícito.
Chegando em nosso
apartamento foi que a situação ficou ainda pior, porque nos lembramos que
dentro da bolsa furtada, além de documentos importantes, lá estavam todas
as chaves de acesso ao nosso apartamento.
A sorte foi, que estavam
em casa nossa empregada e as crianças, as quais abriram a porta e logo
ficaram sabendo do ocorrido.
Era um domingo,
descansamos o resto do dia, mas... Quando chegou a noite, a preocupação
recomeçou e nos perturbou por muito tempo, porque nossa memória nos fez
lembrar o fato de que o ladrão estava com as nossas chaves.
Como poderíamos dormir
tranqüilos naquela noite, imaginando que o ladrão podería de alguma maneira
ter descoberto nosso endereço???
A partir daí, eu, meu
marido, as crianças e a empregada passamos a tentar elaborar uma “tramóia”,
a fim de nos livrarmos do ladrão, caso ele aparecesse, já que a idéia de
chamar a polícia nem sequer passou pelas nossas mentes, talvez por não
sabermos a identidade do indivíduo
ou por medo, ou por qualquer outro motivo...
A primeira atitude foi
trancar todas as portas rapidamente.
Mas, que idiotice...”ele
tem as chaves...”
Então, eu, muito
corajosa... tive a idéia de descer ao andar térreo para observar se havia
alguém suspeito observando o prédio.
E, sendo assim, deixei
todos trancados e assustados dentro do apartamento, dizendo a meu marido
que ele deveria ficar para proteger as crianças.
Resolví descer pelas
escadas para observar todos os andares. Quando cheguei ao térreo, saí no “hall”
de entrada e percebí que um homem acabava de adentrar no prédio e se
dirigia justamente para as escadas aonde eu estava. Meu coração, naquele
momento, parecia que ia saltar pela boca. Porém, num ímpeto de coragem, me
arvorei em retornar pelo caminho de onde surgí, na esperança que tal homem
não tivesse me observado alí, tão insignificante...
Subí aquelas escadas,
que pareciam infinitas, tão “esbaforida”, que nem sei como cheguei ao meu
andar!
Era um apartamento
grande que ocupava todo o décimo andar daquele antigo prédio. Haviam várias
portas, sendo inclusive, uma de vidro, daquele vidro dito “canelado”, pelo
qual não se pode enxergar nitidamente quem está do outro lado.
Comecei a tentar abrir a
primeira porta, passei pela porta de vidro, e foi somente pela última, a
que dá acesso à cozinha, que consegui entrar, pois era lá que todos me
aguardavam. E foi por sorte ou sei lá o quê, que aquele homem evaporara
naqueles corredores escuros e ninguém me alcançou naquela minha trajetória.
Permanecemos todos ali,
quietos naquela cozinha, até que meu filho mais velho se levantou e foi até
a área de serviço. Resolvi seguí-lo e ficamos ali parados, mas, de repente,
olhei para a esquerda e percebi que ali havia um portãozinho fechado há
tantos anos, que ninguém nem dava mais importância para ele, o qual nos
parecia desnecessário, já que recebemos o apartamento por herança e nunca
antes vimos qualquer pessoa utilizá-lo.
Tentei abrí-lo e, por
incrível que possa parecer, eu consegui e logo percebi que havia uma rampa,
por onde prossegui, sempre acompanhada de meu filho.
Num determinado ponto,
nos deparamos com um terraço, o qual tinha vista para a rua, do lado
esquerdo da rampa, para o qual se tinha acesso através de um outro portão,
porém bem mais largo, mas que, ao contrário do outro, estava completamente
escancarado, e por isso, mais que depressa, me pus a fechá-lo, embora o
vento forte quisesse me impedir.
Parados alí naquele
ponto da rampa, pudemos observar que logo abaixo estava a garagem do
prédio, aonde finalizava o trajeto, e dalí mesmo avistamos um homem, que se
encontrava em pé na entrada da garagem, e que conversava com o garagista,
com um jeito de quem pedia alguma informação.
Naquele momento, mais
que depressa, imaginamos que poderia ser o tal homem, o inesperado e tão
esperado ao mesmo tempo.
E o que fazer para
agarrá-lo de uma vez por todas?!...
Foi então que meu filho
teve a idéia de entrevistá-lo, como se estivesse fazendo uma pesquisa para
a escola, já que a ele o estranho talvez não conhecesse, uma vez que não
fora ao clube naquele dia.
Parecia-me muito
arriscado, mas não tínhamos outra opção para tentar descobrir dados sobre
aquela pessoa. Pois, enfim, teríamos que ter alguma coisa concreta antes de
incriminá-lo.
Meu filho voltou ao apartamento, pegou lápis, papel e uma
prancheta que tinha e se dirigiu ao referido homem, enquanto eu fiquei
escondida numa curva da rampa. Não dissemos a nenhum dos nossos para não
criar alvoroço.
Minhas pernas tremiam
enquanto assistia o meu menino conversar com aquele homem, mas, em menos de
dez minutos meu filho voltou e mais que depressa nos dirigimos ao
apartamento, onde pude ler a respeito daquela pessoa e do que fazia por
ali, podendo constatar que aquele poderia ser o homem que procurávamos.
Lembrei que tinha uma amiga
na polícia, peguei o telefone e passei os dados a ela, pedindo-lhe
informações sobre o suspeito e explicando-lhe rapidamente o que havia
acontecido. Então ela me disse que eu deveria ter ligado há mais tempo, e
que, independentemente de qualquer informação a respeito dele, pois,
suspeitava que talvez ele tivesse fornecido dados falsos, pediria para que
uma viatura fosse ao local averiguar tal pessoa.
Daquele momento em
diante, quase não falávamos, ou, nem tenho certeza, se respirávamos
satisfatoriamente. Só sei que nos dirigimos à sala de estar e ali passamos
a noite, todos juntos, esperando
por qualquer notícia.
“Triiiiiiiiiiiiiimmmmmmmm!!!!!!!!!!!!!!!”
Tocou o telefone
insistentemente e demos um salto, todos ao mesmo tempo para atendê-lo!
Peguei o fone e então
ouvi a voz de minha amiga: “Bom dia, querida, tudo resolvido, sua bolsa
está aqui, passe para retirá-la assim que puder. Olha, o cara é bandido
mesmo. Descobrimos pelas características que você me apresentou, pois ele
já havia cometido esse tipo de furto antes, e também roubos, “y otras
cositas más...” Escuta, abriu um concurso para a Polícia, você não
gostaria...”
Só consegui dizer...
“Obrigada”.
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